No flanco leste do calçadão, quase tocando a estação, estende-se a longa e imponente fachada das Caves Montesquieu — uma marca histórica que conhecemos hoje como Montesquius. O complexo nasceu em 1918 pelas mãos de Ramona Roig i Manubens, herdeira de uma linhagem botânica que, depois de emigrar para Cuba e fazer fortuna com a fabricação de barris e o comércio de vinhos, retornou aos Penedès com o desejo de produzir vinhos espumantes de qualidade. A família batizou a marca com o topônimo medieval de sua terra natal, Urgell, o castelo de Montesquiu, e construiu as primeiras naves perto do Ateneu.
O edifício original, agora o núcleo histórico do complexo, responde a uma linguagem industrial classicista: fachadas simétricas de tijolos claros, grandes janelas de paralelepípedos que inundam as áreas vinícolas com luz natural e um telhado de quatro águas que resolve o telhado em seções em um único declive. As aberturas, agrupadas três por três, são emolduradas por pilares e lintéis de sardinha que são ao mesmo tempo uma solução estrutural e um motivo ornamental. Na faixa superior, feita de tijolo vermelho e marrom, originalmente se destacavam os relevos geométricos e um alvo central que ventilava o sótão.
Em 1945, após a Guerra Civil, a família Santacana-Roig transferiu a produção para o local atual para ganhar capacidade de envelhecimento. A mudança coincide com a abertura das primeiras cavas subterrâneas e a substituição gradual da marca Coll de Juny pela Montesquius. O edifício recebe extensões sucessivas: um corpo central contemporâneo que resolve o acesso de caminhões e visitantes; e, em uma extremidade, uma torre cilíndrica coberta que funciona como uma esquina e funciona como um pivô urbano. Apesar das adições, a fachada mantém o alinhamento e a leitura unitária graças à predominância do tijolo exposto.
Durante as décadas de 1960 e 1970, novos túneis de expedição e antigos foram escavados, atingindo três níveis abaixo do nível do solo, aproveitando a argila compacta do subsolo sadurniniano. Hoje, as galerias ultrapassam um quilômetro e meio e abrigam centenas de milhares de garrafas que repousam em rima. O passeio permite que você veja impressoras históricas, um muro de abate manual e um arquivo de forjas, além de documentos e fotografias que explicam a exportação pioneira para a América Latina.
Na fachada, o logotipo da casa dialoga com composições modernas de xarel·lo e macabeo que crescem nos vasos de cerâmica do parapeito. O interior mantém pilares fixados regularmente às paredes e abóbadas de berço com arcos de concreto rebaixados que geram naves diáfanas, ideais para ar condicionado natural. O complexo goza de proteção patrimonial da BPU dentro do POUM (arquivo 61) e está listado no Inventário do Patrimônio Arquitetônico da Catalunha (IPAC 38299).
Hoje, Montesquius continua produzindo cavas antigas e recebe visitantes durante todo o ano por meio de degustações temáticas que exploram o vinhedo orgânico da propriedade Font-Rubí. Entre as curiosidades, vale mencionar a pequena coleção de pôsteres de exportação da década de 1920, onde a marca era anunciada em espanhol, francês e inglês com a legenda “champagne éthode champenoise” — testemunho de uma época em que o DO Cava ainda não existia. A visita termina na torre, um ponto de vista privilegiado sobre o mar de videiras que circunda Sant Sadurní.