A meio caminho entre as ruas Hospital e Sant Pere, bem em frente à mansão de Can Guineu, fica um complexo industrial de 1.200 m² que a história conhece como Fassina de Can Guineu. Construído na década de 1810 pelo empresário Pere Mir i Porta — a mítica “Guiné” —, o Fassina nasceu como uma destilaria de bebidas espirituosas com máquinas de última geração projetadas pelo engenheiro Joan Jordana i Elías. O alambino inicial de 500 litros foi posteriormente substituído por uma equipe francesa de Marcos Brives, aumentando o desempenho e colocando Sant Sadurní na vanguarda da indústria francesa do pós-guerra.
Arquitetonicamente, o complexo é distribuído em dois andares diferenciados pela inclinação natural do terreno. No topo, com acesso pela Carrer de l'Hospital, abre a nave da fáscia, um espaço coroado por arcos de pedra fundida de meio ponto que sustentam os arcos do diafragma e um teto nos dois lados com vigas de madeira. Em ângulos retos, três arcadas adicionais levavam às varandas das xícaras. Hoje, uma cobertura moderna de inclinação única encerra o pátio que servia como uma doca de descarga vintage para as prensas mecânicas, uma delas ainda no local da exposição.
O nível mais baixo, um degrau abaixo da Rua Sant Pere, abriga a antiga “grande adega”, três arcos semicirculares que partem do mesmo andar e sustentam um telhado também com duas águas. A vinícola se conecta com a sala chamada “cava”, onde permaneceram cinco xícaras de cairons envernizados e os canais suspensos que transportavam o mosto. A atmosfera deste espaço, fresca e com cheiro de fermento, foi preservada graças a uma renovação meticulosa que respeita os traços originais.
A destilação foi a principal atividade até meados do século 19, quando o maquinário foi desmontado para se concentrar na vinificação e até na produção de azeite. A atividade vinícola cessou na década de 1950, coincidindo com a morte do último descendente. Em 2003, a Câmara Municipal adquiriu o complexo, declarou-o BCIL 1668-I e instalou o Centro Cava, um centro de interpretação de cava e posto de turismo, dando-lhe uma nova vida informativa.
Hoje, La Fassina pode ser visitada; oferece exposições interativas, mostra a imprensa original e permite que você entenda a evolução tecnológica da indústria de vinho e cava em Penedès. O diálogo entre arcos centenários e recursos museográficos modernos transforma a visita em uma experiência sensorial e histórica, fundamental para entender por que Sant Sadurní é a capital mundial da cava.
As pedras de La Fassina explicam, em cada canto, a determinação empreendedora da Mir, a chegada da revolução industrial e o passo da destilação do conhaque para a produção de bolhas. Um exemplo brilhante da herança industrial de Penedès, vivo e acessível, combinando memória e inovação sob o mesmo teto.